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terça-feira, 19 de junho de 2018

Segurança: Raquel Lyra elabora programa para Alckmin

 A prefeita de Caruaru (PE), Raquel Lyra (PSDB), que vai participar do programa de segurança de Alckmin 
Alckmin prioriza segurança para crescer no Nordeste
Presidenciável tucano escolhe ex-delegada da Polícia Federal, hoje prefeita de Caruaru (PE), para elaborar programa para área
José Marques- Folha de S.Paulo (Caruaru)
Com a escolha de uma prefeita que é ex-delegada da Polícia Federal para a equipe que elabora seu programa de segurança pública, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) tenta aumentar suasintenções de voto no interior do Nordeste com a bandeira do combate à violência.
Além de o número de mortes ter estourado em cidades de médio porte da região nos últimos anos, o problema tem sido incorporado por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL), adversário de Alckmin na campanha ao Palácio do Planalto.
Raquel Lyra (PSDB), 39, se elegeu com a promessa de tornar mais segura a cidade de Caruaru, no agreste pernambucano, que tinha uma taxa de 60 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2016, segundo os dados mais recentes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O município tem 360 mil habitantes.
Em comparação, a proporção no Rio de Janeiro era de 25/100 mil no mesmo ano.
Ela se junta ao professor de relações internacionais da USP Leandro Piquet e ao general do Exército João Campos na tarefa de elaborar um texto que apresente soluções para um problema que deve ser um dos principais pontos de discussão da eleição.
Adicionalmente, é apoiadora de Alckmin em uma região cujo candidato, no melhor cenário do Datafolha, alcança 5% das intenções de voto. No pior, está com 2%.
"Ser do PSDB, ser mulher e ser prefeita no agreste de Pernambuco e no Nordeste brasileiro não é uma coisa simples, e talvez seja por isso que ele tenha me escolhido", diz Raquel Lyra, numa sede de prefeitura decorada com imagens que remetem à literatura de cordel.
Junto com Piquet, que conheceu no gabinete do senador Armando Monteiro (PTB-PE), pré-candidato ao governo pernambucano apoiado pelos tucanos, a prefeita afirma que ajudará a elaborar o programa não como especialista, mas "como uma gestora que está lidando com segurança pública na sua cidade e buscando trazer do governo municipal seu papel para o apoio da segurança pública".
De sua parte, defende que haja um indicador único, nacional, sobre violência. Segundo ela, hoje cada estado usa parâmetros diferentes para levantar as estatísticas.
"Se a gente fizer um mapa disso, podemos ter um cruzamento de onde está ocorrendo a violência e buscar trabalhar as causas dela", afirmou.
A prefeita também negocia uma visita de Alckmin à região para apresentar suas ideias. A pré-campanha do candidato diz que a viagem está prevista para a sexta (22) ou sábado (23). O ex-governador de São Paulo deve ir ainda, no mesmo dia, à cidade de Campina Grande (PB), também governada por um tucano.
A viagem será feita no ápice da comemoração de São João nas duas cidades, que disputam o título de maior festa junina do país.
Assim como Raquel, Romero Rodrigues, o prefeito da cidade paraibana, acha que a presença de Alckmin é importante porque a pauta de segurança pública na região tem sido dominada por apoiadores de Bolsonaro e ocupa espaço entre eleitores tradicionalmente tucanos.
Campina Grande, ao contrário da maioria do Nordeste, votou majoritariamente em candidatos do PSDB nas últimas eleições presidenciais, como Aécio Neves em 2014 e José Serra em 2010.
"O desempenho de Alckmin na segurança [de São Paulo] foi bom. Ele pode vir e mostrar isso. Bolsonaro está mostrando entusiasmo em relação à segurança, mas se você for olhar pela questão técnica, Alckmin é quem tem mais capacidade formal e profissional", diz Romero.
Raquel Lyra tem posicionamento semelhante. "Não é um debate fácil, a gente tem uma presença de Lula muito forte, e esse espaço, mesmo com a provável ausência dele das eleições, não consegue ser ocupado por ninguém, salvo um crescimento de Bolsonaro que me preocupa muito", afirma.
Segundo ela, o pré-candidato do PSL apresenta soluções fáceis para um problema que não é resolvido facilmente.
"O indicador de São Paulo é de nove [homicídios] por 100 mil habitantes. É preciso vir aqui. São realidades distintas, temos uma renda muito mais baixa que o estado de São Paulo, mas é um caminho a ser trilhado", diz a prefeita.
Em Caruaru, o problema ainda persiste, mas houve uma redução de 131 homicídios nos quatro primeiros meses do ano passado para 81 este ano, segundo dados do governo pernambucano.
Raquel elenca a criação de conselhos de segurança em bairros e ações localizadas para redução da insegurança como fatores que contribuíram para os números, mas a melhora nas estatísticas também contou com reforço do governo do estado –de oposição– que tentará reeleger Paulo Câmara (PSB).

Do Magno Martins

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