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domingo, 15 de julho de 2018

“Jussara já falava como se ele estivesse morto”, conta irmã de médico

Irmã mais velha do médico Denirson Paes, Cleonice Paes da Silva, 55, conhecida como Fia, chegou a passar um tempo na casa em que o médico vivia com Jussara em Aldeia, sem ter ideia de que o irmão estava morto e esquartejado na cacimba do imóvel. Ainda abalada, ela contou detalhes sobre o período em que acreditou que Denirson estava apenas desaparecido, quando chegou a fazer compras com a cunhada e ir com ela até a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. Cleonice observou contradições no que era dito por Jussara, que já falava no passado sobre o marido, observou mudanças comportamentais e muito nervosismo dela e do filho mais velho [Danilo, 23, preso junto com a mãe como suspeito do crime], principalmente na presença da polícia, e disse que a esposa do médico tentou impedir que ela falasse com os sobrinhos e com a empregada da casa.
Viagem para Miami
Do dia 30 para o dia 31 ela ligou para mim. Ela me chama de Fia. Disse que Denirson estava indo para Miami e que não iria com ele porque Danilo estava com problema de saúde, muito ansioso por estar se preparando para concurso. Eu moro em Petrolina e ela disse que iria passar alguns dias na minha casa e que depois iria para Campo Alegre de Lurdes [na Bahia] ver a família dela.
Sindrome de pânico
Ela não deu mais notícias. Algum tempo depois liguei para perguntar quando ela iria para a minha casa, já que ela estava planejando passar o São João em Petrolina. Ela disse que não iria porque Danilo estava com síndrome do pânico e que não podia ficar em meio de multidão.
Ligação aos gritos
No dia 18 de junho, 10h30, eu estava fazendo o almoço e ela ligou aos gritos, desesperada, dizendo que Denirson estava desaparecido. Ela disse que tinha ligado para as irmãs dela e que as irmãs disseram que ela não podia ficar calada, que tinha que avisar ao meu pai. Eu disse a ela que não ficasse tão preocupada, fiquei acalmando ela, dizendo que Denirson tem cabeça feita, mas ela estava muito desesperada. Perguntei: você quer que eu vá praí? Ela disse “é o que eu mais quero”. Depois achei que não era nada sério e não precisava ir. Liguei de novo e ela disse “você tem que vir”, no maior desespero do mundo.
Magra, abatida e pálida
Comprei uma passagem e, quando cheguei, ela estava dormindo. A empregada, que chamamos de Zefinha, serviu um café da manhã para mim. Depois ela chegou aos prantos, magra, abatida, pálida e desesperada. Eu disse “não precisa disso mulher, ele vai aparecer”.
Desaparecimento em segredo
Quando falei com o meu filho Francisco, ele disse: ‘mãe, isso é sério’. Ela tem que fazer um Boletim de Ocorrência. Então pedi que ele falasse com ela, mas ela alegou que não iria fazer B.O porque isso iria repercutir muito, por ele ser médico e muito conhecido no Recife. Disse que era melhor a gente manter o desaparecimento em segredo, só entre nós.
Queixa na delegacia
Depois Daniel [filho caçula de Denirson e Jussara] chegou, perguntou se o pai tinha aparecido. Foi quando ele disse: “Se a senhora não for, eu vou fazer o B.O”. No outro dia de manhã eu fui fazer o B.O com ela.
Contradição sobre apartamento
Antes de ir na delegacia, passamos no apartamento. Ela dizia pra mim que ele tinha se suicidado, que estava morto no apartamento. Quando chegamos no apartamento, tudo arrumado. Ele não estava lá. Hora nenhuma ela me disse que estava se separando. Falou para mim que eles estavam ajeitando o apartamento para alugar. Na delegacia, ela contou para a delegada outra coisa. Disse que eles estavam se mudando para o apartamento para fazer uma reforma na casa.
Convivência conturbada
Depois que percebi que ela mentiu sobre o apartamento, perguntei para Daniel por que o apartamento estava arrumado. E ai ele disse: ‘tia, é porque meu pai e minha mãe estão se separando. A convivência deles está muito conturbada e ali não tem mais jeito.’
Filho mais velho não dormia
E o menino [Danilo] não dormia de noite. E era sempre gelado, dizendo que estava faltando ar, sem fôlego. Quando a polícia chegava na casa, ele saia de imediato. No período que eu estava lá, os policiais estiveram lá três vezes. Um dia ele disse “deixa eu sair, que eu não aguento”.
Mudança de comportamento
Também tinha hora que ela [Jussara] estava bem, foi no salão de beleza fazer cabelo. Cheguei também a ir com ela fazer compras.
Jussara dizia que marido estava morto
Sempre quando ela ia falar no meu irmão ela [Jussara] dizia “ele foi, ele era”. Eu repreendia ela, dizia “ele foi não, ele é, porque ele está vivo”. Ela se referia como se ele já estivesse morto. Ficava dizendo que ele estava morto na mata ali do condomínio, que ele tinha ido caminhar e tinha infartado, morrido. Eu dizia “não morreu não, porque se não o povo já tinha falado”. E a própria delegada disse lá  “notícia ruim corre logo”. E quando ela chorava muito, Zefinha [empregada] dizia, “olha irmã Cleonice. Essa lágrima aí é de crocodilo, não é de amor não.”
Notícia da morte
Quando meu pai recebeu a notícia, a primeira coisa que fez foi ligar pra ela [Jussara] para avisar que acharam ele morto. Meu primo disse que não ligasse, mas meu pai insistiu que ela deveria saber. Foi quando o meu primo disse que ele foi assassinado e que foi ela e o filho mais velho. Foi quando o meu pai caiu na real e ligou pra mim. Eu estava em Petrolina. Ele disse “Fia, se prepare que Denirson não está mais entre nós”. Entrei em desespero. Mas não me disseram como ele morreu. O que passou pela minha cabeça foi que ele tinha se suicidado. Eu vim de Petrolina até Campo Alegre pensando que foi suicídio. Quando cheguei aqui, a minha irmã disse que Jussara e Danilo foram presos.
Surpresa e terror
A possibilidade de assassinato nunca passou pela minha cabeça. Quando soube, senti muita surpresa e terror. Uma mulher que namorou com ele dez anos, depois viveram 30 anos. Só viviam passeando no exterior, nas praias, curtindo a vida. Então lembrei que ela me proibiu de falar com a empregada e fiquei sem entender o motivo. E também limitava o meu contato com os meus sobrinhos. Só consegui conversar com Zefinha quando voltei para Petrolina e consegui o telefone dela.
Um patrão maravilhoso
Quando falei com ela [Zefinha] entendi que o relacionamento realmente não estava bom. Ela me disse que ele aguentava muita coisa e fez algumas queixas sobre Jussara. Também falou que Denirson era uma pessoa maravilhosa, um homem muito bom, que teve um problema do coração e que ele cuidou dela e levou para operar. Ela dizia “tô aqui porque Jesus me botou. E eu vou ficar aqui até Jesus me tirar”.
Entenda o casoO desaparecimento de Denirson Paes da Silva vinha sendo investigado desde meados de junho. Em um boletim de ocorrência registrado no último dia 20 de junho, a esposa dele – a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes, 54 – alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado.
A delegada Carmem Lúcia desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam. Para a polícia, há indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do cadáver do médico. Eles estão presos, respectivamente, na Colônia Penal Feminina do Recife e no Cotel, em Abreu e Lima.
FolhaPE

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