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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Suspeito confessou assassinato de Bruno e Dom, diz superintendente da Polícia Federal no Amazonas

 

Indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips desapareceram no último domingo, 5, no caminho entre a comunidade de São Rafael eo município de Atalaia do Norte, no Vale do Javari 
Foto: Daniel Marenco/O Globo e Reprodução Twitter/domphillips

Por Suelen Gonçalves, Vinícius Valfré, Gustavo Queiroz e Alisson Castro

Superintendente no AM afirma que ‘Pelado’ orientou busca e contou que Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos a tiros; corpos foram localizados em área de mata do rio Itaquaí

Após dez dias de buscas, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Eduardo Alexandre Fontes, afirmou nesta quarta-feira, 15, que o pescador Amarildo Oliveira, conhecido como “Pelado”, confessou que o indigenista Bruno Pereira, de 41 anos, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), e o jornalista britânico Dom Phillips, de 57, colaborador do jornal The Guardian, foram assassinados. Eles desapareceram no dia 5 deste mês no Vale do Javari, extremo oeste do Amazonas. Segundo o relato, foram mortos no mesmo dia.

Superintende regional da PF, Fontes disse que, conforme Pelado, Pereira e Phillips foram assassinados com arma de fogo. Uma das hipóteses sob investigação é que os corpos tenham sido carbonizados antes de serem enterrados no local apontado pelos supeitos. A polícia ainda aguarda a perícia para confirmar as identidades e definir a causa da morte. Os corpos encontrados na área de busca foram levados ontem à noite para Atalaia do Norte.

“Ontem (terça-feira, 14) à noite nós conseguimos que o primeiro preso neste caso, conhecido por Pelado, voluntariamente confessasse a prática criminosa. Durante a confissão, ele narrou com detalhes o crime realizado e apontou o local onde havia enterrado os corpos”, afirmou Fontes, durante entrevista coletiva em Manaus. “Foi um embate, a principio ele (Pelado) alega que foi com arma de fogo, mas temos que aguardar a perícia porque ela que vai dizer, identificar qual foi a causa da morte, as circunstâncias e a motivação.”

Buscas

Segundo o superintendente, a PF levou Pelado e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Do Santos” e irmão de Pelado, também suspeito de envolvimento no crime, para a área de buscas no Rio Itaquaí, em Atalaia do Norte (AM). Dos Santos teve a prisão temporária, assim como Pelado, de 30 dias decretada nesta quarta-feira, 15. Os dois pescadores admitiram que Bruno e Dom foram abordados e mortos no trajeto de barco entre a cidade e a Comunidade São Rafael. Ainda estão sendo feitas escavações no local, que fica a 3,1 km do rio. Também foi encontrado o barco usado por Pereira e Phillips, que foi afundado no local com sacos de areia. O segundo suspeito, Oseney Oliveira, negou ter participado do crime.

Policiais Federais chegam ao porto de Atalaia do Norte com os corpos encontrados pela investigação após confissão de um dos suspeitos de envolvimento no caso
 Foto: Wilton Junior/Estadão

“Nós não descartamos a hipótese de outras pessoas estarem envolvidas. Temos muito o que fazer no inquérito para coletar seguramente provas de autoria e materialidade”, afirmou o delegado da Polícia Civil, Guilherme Torres. “Temos o depoimento, a confissão do preso, levando até uma área distante, onde os corpos seriam encontrados, onde foram enterrados. A equipe caminhou 25 minutos para chegar até ali, desenterrou, então tudo nos leva a crer. Agora, tecnicamente, preciso de reconhecimento de parentes, de um exame de DNA para poder dizer e para ter a conclusão do inquérito”, disse.

Os novos materiais descobertos e vestígios humanos coletados próximos ao local na sexta-feira, 10, estão sendo periciados. A análise é feita a partir de materiais genéticos fornecidos pelas famílias de Pereira e Phillips. Uma mochila com pertences do jornalista também foi identificada na mesma área.

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