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sexta-feira, 10 de março de 2023

Americano fica cego de um olho após dormir com lente de contato

 


Quarenta minutos. Esse foi o tempo que bastou para que o norte-americano Mike Krumholz, de 21 anos, ficasse cego de um olho. A causa foi um rápido cochilo usando lentes de contato. Apesar de saber que não se deve dormir com as lentes, Mike era adepto da prática. Em dezembro, após tirar uma soneca, o jovem acordou sentindo algo estranho nos olhos. Era a Acanthamoeba, um parasita que vive na água doce.

Com o olho direito vermelho e irritado, Mike procurou ajuda médica. A situação do norte-americano se agravou ainda mais quando, em um primeiro momento, ele foi diagnosticado de forma errada com herpes simples tipo 1. Os médicos prescreveram antibióticos que acabaram por piorar o quadro de Mike. Somente no fim de janeiro houve o diagnóstico correto: o jovem estava com uma ceratite (infecção ocular) causada pelo parasita. 

A oftalmologista Marcela Ferraz, do Hospital de Olhos Santa Luzia, integrante do grupo Vision One, aponta os perigos de cair no sono com as lentes. "Não se deve dormir de maneira alguma com a lente, nem mesmo cochilar. É uma coisa que eu sempre friso para os meus pacientes. A Acanthamoeba fica retida na lente. Se não temos lesão ela não entra no olho. Mas se temos uma lesão, na hora que dormimos acabamos abrindo uma porta de entrada para microorganismos, bactérias e fungos”, explica a especialista em lentes de contato.

“Dormir com lentes de contato leva a uma redução do aporte de oxigênio da córnea, podendo ocasionar problemas como ceratite e edema corneano. Também aumenta o risco de complicações como úlceras de córnea, que podem trazer sérias repercussões para o olho”, acrescenta a oftalmologista Marcela Ferraz

Mike passou por um procedimento chamado terapia fotodinâmica, onde o branco do olho foi colocado sobre a pupila para combater o parasita. A irritação do olho direito virou uma dor extrema e o jovem perdeu a visão do olho direito. Segundo o norte-americano, ele apenas enxerga formas em preto e cinza, como uma televisão com interferência. 

Sem estar apto para um transplante de córnea no momento, Mike segue sem enxergar e sofre com uma sensibilidade ocular extremamente alta, que o impede de ter uma vida normal. O jovem espera poder realizar um transplante para ter ao menos 50% da visão de volta.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os principais fatores de risco para o desenvolvimento da ceratite por Acanthamoeba são se expor à água usando lentes de contato, especialmente as gelatinosas. Os sintomas mais comuns são desconforto, coceira, fotofobia, ardência e lacrimejando, o que faz com que a doença possa ser confundida com outras. Estima-se que em casos mais graves, os pacientes acabem com menos de 25% da visão ou até ficam cegos. Cerca de um quarto dos casos requerem transplantes de córnea. 

A oftalmologista Marcela Ferraz adverte que é fundamental consultar um especialista antes de usar lentes de contato. “É muito importante que este uso se dê de maneira adequada. O primeiro passo é a adaptação correta com um oftalmologista especialista em lentes de contato, que indicará a melhor lente para cada caso”, ensina a médica. 

A especialista do Hospital de Olhos Santa Luzia acrescenta que o uso de lentes de contato traz diversos benefícios para o paciente, desde que ele siga algumas orientações. “É necessário estar atento ao número de horas de uso por dia e ao período de troca das lentes de contato, além de realizar corretamente a higienização e utilizar lubrificantes quando necessário. Dessa maneira, você terá segurança no seu uso e um ótimo resultado visual”, finaliza a oftalmologista Marcela Ferraz.

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