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domingo, 28 de janeiro de 2024

Mortes por intervenção policial crescem 30,42% em Pernambuco em 2023

 

Polícia matou uma pessoa a cada três dias, revela levantamento do g1 com base em dados da Secretaria de Defesa Social

Em 2023, o estado de Pernambuco testemunhou um aumento preocupante no número de mortes por intervenção policial, com um crescimento de 30,42% em relação ao ano anterior. De acordo com um levantamento realizado pelo g1, utilizando dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), a polícia matou em média uma pessoa a cada três dias, totalizando 120 vítimas ao longo do ano.

A mudança na forma de registrar esses casos pela SDS desde o ano passado separou as mortes por agentes do estado dos demais casos de homicídio. Este é o pior resultado para o indicador desde 2018, quando 115 pessoas foram mortas por agentes de segurança. O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, ao ser questionado, afirmou não admitir "excesso algum" por parte das polícias.

As mortes por intervenção policial em 2023 foram distribuídas em 42 cidades do estado, sendo mais de um terço concentrado em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. O levantamento revelou que, dentre as vítimas, 118 eram do sexo masculino, duas eram mulheres, e dois terços tinham menos de 30 anos, incluindo oito menores de 18 anos.

A Região Metropolitana do Recife foi a mais afetada, respondendo por 55,84% dos casos, dos quais 16,67% ocorreram na capital e os demais 39,17% nos municípios do Grande Recife.

O caso de Alex da Silva Barbosa, de 33 anos, teve grande repercussão, envolvendo um confronto armado com a polícia que resultou na morte de dois policiais militares. Posteriormente, Alex foi encontrado morto com tiros na cabeça e no tórax.



Uma análise da Rede de Observatórios de Segurança, divulgada no ano anterior, apontou que todos os mortos pela polícia no Recife em 2022 eram pessoas negras, reforçando uma tendência observada também em 2021, com 89,66% das vítimas de operações policiais sendo negras em todo o estado.

A mudança na forma de registrar os dados, com a criação do indicador de Mortes Violentas Intencionais (MVI), separou as mortes por intervenção policial dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). A coordenadora estadual do Observatório de Segurança, Edna Jatobá, considera essa mudança positiva, tornando o registro mais transparente.

No dia 22 de janeiro, a governadora Raquel Lyra substituiu os comandantes das polícias Civil e Militar de Pernambuco. A mudança ocorreu após confrontos entre torcidas organizadas do Sport e do Santa Cruz, que resultaram em um policial militar e dois torcedores baleados. O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que Pernambuco possui uma das menores letalidades por violência policial no país, e qualquer excesso será apurado.Com a mudança de comando, o novo chefe da Polícia Civil, delegado Renato Márcio Rocha Leite, expressou o foco da gestão na redução dos índices de Mortes Violentas Intencionais (MVIs). A expectativa é atingir a meta proposta pelo programa "Juntos pela Segurança" e alcançar resultados menores do que nos anos anteriores.

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