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segunda-feira, 5 de março de 2018

Coluna do blog desta segunda-feira

Sem FBC na majoritária, a chapa da oposição será manca 
A oposição decidiu que lançará uma candidatura em vez de duas, o maior peso da decisão foi o fato de precisar de oito vagas para as duas chapas, colocando em risco a viabilidade das chapas proporcionais, sobretudo as de deputado federal, o que acabou impactando para que seja lançado um chapão para federal com chances, inclusive, de se repetir para deputado estadual.
A princípio, o sentimento de quem estava em Caruaru foi que com uma única candidatura, a oposição caminharia para ter Armando Monteiro candidato a governador, porém faltariam três vagas, a de vice, e as duas de senador. Hoje o ministro Fernando Filho, que estaria cotado para ocupar a vice, está decidido a ser novamente deputado federal no intuito de tentar continuar na esplanada num eventual governo apoiado por ele, então ficaria pouco provável que ele entrasse neste projeto. O ministro da Educação Mendonça Filho tem como plano A ser candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin, mas caso este projeto não se materialize, ele sonha em também continuar na esplanada, e o melhor caminho seria renovar seu mandato de deputado federal pra isso.
O ex-ministro Bruno Araújo tem duas opções, a de ser candidato a reeleição ou disputar o Senado, mas a segunda opção só se materializará se houver uma chapa muito competitiva para que ele possa se tornar um candidato viável, caso contrário ele tentará a reeleição porque precisa do mandato em Brasília e não pode entrar em aventura. Então sem Fernandinho, Bruno e Mendonça, Armando só teria Priscila Krause, Daniel Coelho, João Lyra e Silvio Costa para eventualmente compor uma chapa. Vale ressaltar que do outro lado estariam João Paulo e Jarbas Vasconcelos que sempre foram dois nomes muito competitivos e que teriam a retaguarda da estrutura de Paulo Câmara que não é pequena.
Fernando Bezerra Coelho, por sua vez, foi o responsável por tirar a oposição do marasmo, que mesmo com a dificuldade de Paulo Câmara, passou três anos sem pautar a política. Graças ao jeito arrojado de Fernando, as pessoas começaram a enxergar algum tipo de unidade e possibilidade de disputa no campo da oposição. Hoje o senador recebe um veto implícito de dois atores da oposição. O de Mendonça porque ficou chateado com a sua ida para o MDB, e o de João Lyra que queria que Fernando não tivesse aceitado ser senador na chapa de Paulo Câmara caso um deles não fosse o escolhido para o posto. Eles estão decididos a apoiar Armando Monteiro porque possuem maior afinidade com o petebista. Pesa contra Fernando o impasse do MDB, o que evidentemente se ele não tiver o comando não terá a menor chance de ser o candidato, então caberia a oposição marchar completamente com Armando e ver se o eleitor optaria pelo senador no sentimento de mudança.
Com Fernando disputando o governo, Armando seria deslocado para a reeleição do Senado, e a oposição entraria no pleito com dois nomes fortes, uma vez que um precisa do outro para ser um candidato competitivo na disputa de outubro. As outras duas vagas oscilariam entre Bruno Araújo, que tendo Fernando e Armando na chapa seria muito mais competitivo para o Senado, André Ferreira que flerta com o Palácio, mas garantiria Jaboatão dos Guararapes para o palanque da oposição, Priscila Krause, Daniel Coelho e João Lyra Neto também seriam nomes para compor a chapa de vice.
A chapa sem FBC é terreno extremamente favorável para o governador Paulo Câmara, pois Lula Cabral, que é um importante prefeito metropolitano, fecharia com a reeleição do governador, e o próprio Anderson Ferreira poderia pensar duas vezes se vale a pena trocar o Palácio por uma chapa manca. Todas as variáveis desta equação precisam ser consideradas, porque sem uma chapa forte, a oposição tende a sofrer mais uma derrota para o governador Paulo Câmara.
Preferência – Muitos prefeitos dos partidos da oposição, sobretudo os do PSDB, disseram preferir a candidatura de Fernando Bezerra Coelho em vez da de Armando Monteiro, ora por questões locais, ora por Fernando ser mais incisivo nas críticas ao PSB. Apesar de sinalizarem o apoio a Armando caso ele seja o escolhido, eles preferem que a chapa tenha Fernando e Armando.
Valorizado – A decisão da oposição de lançar apenas uma candidatura teve um efeito imediato, que foi o de valorizar o passe do PT. Com a candidatura de Marília Arraes se viabilizando a disputa tende a ir ao segundo turno, e ela teria chances reais de chegar nele, já se ela ficar de fora da disputa, a situação do governador Paulo Câmara tende a ser mais tranquila.
Romário Dias – Insatisfeito com o Palácio do Campo das Princesas  e ciente de que precisaria de 50 mil votos para se reeleger no chapão, o deputado estadual Romário Dias estaria cogitando migrar para a oposição, onde precisaria de dez mil votos a menos para se reeleger. O convite para o PTB foi feito pelo deputado José Humberto, que inclusive guardou o número dele na eleição passada, por onde ele foi eleito.
Discurso – Chamou atenção o excelente discurso de Daniel Coelho em Caruaru no ato da oposição. Participando pela primeira vez dos encontros oposicionistas, Daniel foi bastante contundente na sua intervenção com duras críticas ao PSB e ao governador Paulo Câmara. Daniel lembrou que o PSB também votou no impeachment, e disse que não se arrepende de ter ajudado a tirar Dilma e faria tudo de novo.
PRTB – Integrante da oposição, o PRTB só teve o vereador Marco Aurélio nos eventos de Petrolina e  de Caruaru. O presidente estadual Edinazio Silva não participou dos eventos da oposição, sinalizando algum tipo de insatisfação com a movimentação do grupo oposicionista liderado por Armando Monteiro e Fernando Bezerra Coelho.
RÁPIDAS
Comemoração – Independentemente de quem venha a ser o candidato da oposição, o Palácio do Campo das Princesas comemorou a decisão de uma única candidatura. O governo acredita que ficará mais fácil para instituir a pecha de palanque de Temer tanto em Armando quanto em FBC.
Distante – O deputado federal Silvio Costa ficou mais uma vez distante do ato da oposição em Caruaru. Pré-candidato ao Senado, Silvio está avaliando qual é a melhor estratégia para viabilizar sua candidatura e por isso aguarda o desfecho das alianças para tomar uma decisão de qual será o seu destino.
Inocente quer saber – Caso não seja o nome da oposição para disputar o governo, Fernando Bezerra Coelho poderá ser ministro da Integração Nacional?

Do Edmar Lyra

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